Nova marca Senac: uma surpresa no lançamento
Lembro até hoje quando recebi pelo e-mail de um colega esta indicação da evolução da nova marca Senac e me surpreendi com o resultado.
Surpresa esta, causada por uma série de fatores que vão desde a instituição de ensino (cliente), passando pelo escritório de design (fornecedor) que realizou o projeto, culminando na aprovação deste, que se não é o pior, está certamente entre os piores projetos de modernização de marcas executados nos últimos anos.
Por ser uma instituição tradicional, porém com um viés moderno, sempre preocupada em oferecer “o novo” aos seus alunos, o Senac pode ter metido os pés pelas mãos ao trocar a sua marca antiga por esta.

Talvez, na busca pela grande inovação estética, tenham dado autonomia demais para profissionais ainda imaturos, incapazes sequer de fazer uma intervenção gráfica numa família tipográfica pré-selecionada com o mínimo de zelo.
Enfim, o que quero dizer, é que vindo do Senac, uma mudança de marca deveria no mínimo inspirar, motivar, apontar rumos, demonstrar tendências, e não fazer o que fez, chamando a atenção somente para os defeitos conceituais, técnicos e a completa falta de apelo desta nova marca.
O responsável pela aprovação desta nova marca, deveria responder futuramente, pelo mal que certamente está causando ao Senac, isso é no mínimo, uma irresponsabilidade com a imagem de uma instituição tão respeitada, também pode ser conivência, enfim, somente eles poderão um dia (tomara) responder o que levou-os de fato a tomarem esta decisão.
Abaixo, seguem algumas relações e pontos relevantes sobre a nova marca Senac:
Mudando marcas tradicionais
Pensemos na mudança das marcas da Vale, do Itaú, da Votorantim, todas recentes, frutos de estudos detalhados que, por vezes, apontaram para mudanças complexas como a da Vale, outras moderadas como a da Votorantim e algumas bem sutis como a do Itaú.
Em todos estes casos, as marcas antigas eram patrimônios ativos das empresas, assim como a do Senac, mas nesses casos, houve responsabilidade, cuidado.
Ok, vão dizer que no caso da Vale houve acusações de plágio e, no do Itaú de descaracterização do significado do nome (Pedra preta em tupi-guarani), com a introdução do azul e laranja, mas que em nenhum destes casos, o resultado gerou uma marca mal construída como a do Senac.
Definindo conceitos adequados e desenhando formas harmônicas
Não é fácil acertar um bom conceito, e muito menos moldar formas agradáveis visualmente, isso qualquer designer mediano sabe, agora o que vemos aqui, é simplesmente a união de um conceito raso, um símbolo alegórico e cores tão gritantes que denotam a intenção excessiva do Senac em chamar para si a atenção de todos, não só do seu público-alvo, mas de todo mundo do bairro, da cidade, do estado e país.
Essa mescla de azul e laranja da forma que está apresentada, transmite, apenas um sentimento: desespero.
Desenhar tipos exige muita habilidade
Desenhar tipos não é uma aventura, não basta amputar pedaços de caracteres para imprimir modernidade à uma marca.
Isso pode, e muitas vezes é feito, mas é preciso “saber fazer”, do contrário, expõe o completo despreparo do autor da “obra”.
Nesse caso, não se salva um carácter sequer, tudo está torto, desalinhado, desarmônico, enfim, um caos. Culpa de quem fez, despreparo de quem dirigiu e azar de quem aprovou.
Defendendo a nova marca Senac
Queria ter visto a apresentação, para poder sinceramente ser convencido de que esta é uma boa marca, mas como isso não foi possível, devo me contentar apenas com as informações divulgadas, para formar a minha opinião.
Talvez um powerpoint ou um keynote milagroso pudesse desfazer a imagem ruim a respeito deste projeto.
Mas se gastaram talento criando argumentos mirabolantes para uma marca ruim, porque não usaram este mesmo talento de criatividade criando uma marca melhor?
De Senac à Sesc, num piscar de olhos
Gostaria de finalizar este artigo da mesma forma que os autores do projeto fizeram, simplesmente copiando todas as definições utilizadas para o Senac e colando-as no projeto do Sesc, pois ao que parece, o mundo virou um festival de copiar e colar sem fim.
Afinal é tão mais fácil seguir por este caminho, e depois jogar toda a “defesa”(sim, neste caso o projeto necessita imensamente de uma boa “defesa”), em cima do já tão manjado discurso de padronização ou arquitetura de marcas, não é mesmo?
No próximo artigo podemos falar sobre a concorrência entre a empresa Apple contra o Android na disputa, sobre como fazer o celular descarregar devagar para economizar bateria na disputa da marca.
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